Professores e Escolas

Diferenciação pedagógica: 12 estratégias práticas para professores

Diferenciar não significa preparar 25 aulas diferentes. Significa planear reconhecendo que os alunos não aprendem todos da mesma forma, ao mesmo ritmo ou com os mesmos apoios.

Por Patrícia Rodrigues · · 10 min de leitura · Professores

Uma turma é, por definição, diversa.

Existem diferentes ritmos, conhecimentos prévios, interesses, níveis de autonomia, formas de comunicação e necessidades de apoio.

Diferenciação pedagógica significa reconhecer essa diversidade no planeamento e na ação.

E não: não significa preparar uma aula completamente diferente para cada aluno.

A diferenciação é uma componente importante das práticas educativas inclusivas e está integrada na lógica de resposta às necessidades dos alunos.

Aqui ficam 12 estratégias que podem ser utilizadas de forma simples.

1. Explicitar o objetivo

Antes de iniciar uma tarefa, diga claramente o que se pretende aprender. Por exemplo: “Hoje queremos aprender a identificar a ideia principal de um texto.”

Quando o objetivo está claro, é mais fácil adaptar o caminho sem perder de vista a aprendizagem.

2. Ativar conhecimentos prévios

Antes de apresentar um conteúdo novo:

  • faça uma pergunta;
  • mostre uma imagem;
  • crie uma pequena conversa;
  • peça exemplos;
  • faça uma sondagem rápida.

Isso permite perceber de onde os alunos estão a partir.

3. Dar instruções por etapas

Uma instrução longa pode ser uma barreira.

Em vez de “Leiam o texto, sublinhem as ideias importantes, respondam às perguntas e depois façam o resumo.”, experimente apresentar uma etapa de cada vez.

4. Usar exemplos

Alguns alunos compreendem uma instrução abstrata rapidamente.

Outros beneficiam de ver um exemplo concluído.

Modelar uma tarefa não significa dar a resposta. Significa tornar explícito o processo.

5. Utilizar suportes visuais

Podem ser úteis:

  • esquemas;
  • listas;
  • mapas conceptuais;
  • imagens;
  • cronogramas;
  • passos numerados;
  • checklists.

Um suporte visual reduz a dependência da memória de trabalho e pode promover autonomia.

6. Criar agrupamentos flexíveis

Nem todos os trabalhos de grupo precisam de usar sempre os mesmos alunos. Pode agrupar temporariamente:

  • por necessidade de apoio;
  • por interesse;
  • por estratégia;
  • aleatoriamente;
  • de forma heterogénea.

O grupo deve servir a aprendizagem, não transformar-se num rótulo.

7. Variar o nível de apoio

Dois alunos podem realizar a mesma aprendizagem com diferentes níveis de ajuda.

Um pode precisar apenas da pergunta. Outro pode beneficiar de:

  • palavras-chave;
  • exemplo;
  • organizador;
  • primeira etapa já iniciada.

O objetivo é retirar progressivamente o apoio quando já não é necessário.

8. Dar alternativas para demonstrar aprendizagem

Nem sempre a única forma de mostrar conhecimento tem de ser um texto longo. Consoante o objetivo pedagógico, podem existir alternativas:

  • apresentação oral;
  • esquema;
  • cartaz;
  • gravação;
  • demonstração;
  • produto digital.

A forma escolhida nunca deve eliminar a competência que está realmente a ser avaliada.

9. Ajustar quantidade sem eliminar qualidade

Por vezes um aluno não precisa de fazer 20 exercícios semelhantes para demonstrar que compreendeu.

Pode realizar menos itens cuidadosamente selecionados.

Reduzir quantidade não significa necessariamente reduzir o objetivo.

10. Usar tempo de forma flexível

Alguns alunos necessitam de:

  • mais tempo;
  • pausas;
  • divisão da tarefa;
  • início antecipado;
  • orientação intermédia.

A gestão do tempo pode ser uma ferramenta pedagógica.

11. Verificar compreensão durante a aula

Não espere pelo teste para descobrir que metade da turma não percebeu. Utilize pequenas verificações:

  • “mostra com o polegar”;
  • pergunta rápida;
  • mini exercício;
  • bilhete de saída;
  • resposta numa ardósia;
  • explicação a um colega.

Avaliar durante a aprendizagem permite ajustar o ensino.

12. Ensinar autonomia

Uma estratégia de apoio é mais poderosa quando o aluno aprende progressivamente a utilizá-la sozinho.

Por exemplo: em vez de o professor lembrar sempre os passos de uma tarefa, criar uma checklist que o aluno aprende a consultar.

A pergunta final deve ser: “Como posso ajudá-lo hoje para que precise de menos ajuda amanhã?”

Diferenciar não é ensinar menos. É criar melhores condições para que mais alunos consigam aprender.

Diferenciar não é baixar expectativas

Este é um equívoco frequente.

Diferenciar significa procurar caminhos adequados para chegar à aprendizagem. Por vezes muda-se:

  • apoio;
  • processo;
  • recurso;
  • organização;
  • tempo.

O objetivo pode continuar exigente.

Começar pequeno

Não é necessário redesenhar todas as aulas.

Escolha uma dificuldade recorrente e teste uma estratégia.

Por exemplo: “Os meus alunos perdem-se em tarefas com muitas instruções.” Primeiro passo: passar a apresentar instruções numeradas.

Observe o efeito. Depois ajuste.

A diferenciação pedagógica constrói-se também desta forma: observação, ação e reflexão.

Fontes e referências

Sobre a autora

Patrícia Rodrigues

Professora, pós-graduada em Educação Especial e Inclusão, com experiência em apoio educativo, diferenciação pedagógica, adaptação de materiais e intervenção na área da baixa visão.

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